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Juízes ou militantes políticos?

Foto do escritor: Ederlindo Paulino
Ederlindo Paulino
21 de set.
2 min de leitura


# Juízes ou militantes políticos


21 de set. de 2026, 12:55


**Juízes ou militantes políticos**


Até a máfia tem ética. Essa frase incrível foi dita hoje por Gilmar Mendes, ministro do Supremo Tribunal Federal, no meio de uma das sessões mais constrangedoras de toda a história da corte. E talvez o mais absurdo seja que essa frase nem foi a parte mais preocupante, mas é revoltante perceber que o STF está discutindo a possibilidade de investigação de Alexandre de Moraes dentro do caso do Banco Master e que uma sessão, uma comissão dessa, que deveria esclarecer as dúvidas, virou uma guerra entre os próprios ministros, querendo decidir quem está agindo de maneira parcial.


Moraes chamou a investigação de farsa e vingança. Gilmar acusou André Mendonça de agir com seletividade. Mendonça classificou as acusações como levianas.


Enquanto ministros da mais alta corte do país discutem se eles podem confiar na própria imparcialidade, existe alguém que não pode se declarar suspeito? Abandonar o plenário ou escolher qual regra prefere adotar? Você, o brasileiro comum, o trabalhador, o empresário, o cara que paga imposto antes do dinheiro cair na conta, que paga imposto pela casa que comprou, pelo trabalho que produziu, pelo carro que comprou, pela comida, que precisa apresentar documento, cumprir prazo, provar renda e obedecer uma quantidade absurda de regras em um país que só quer atrasar quem quer crescer.


Por isso esse julgamento deveria incomodar todo mundo, independente se você é de direita ou de esquerda. Porque existe, ou deveria existir, uma coisa que o cidadão tem, o direito de exigir de quem possui o poder para interpretar a regra do país que essas regras não mudem dependendo do nome de quem está sendo julgado.


É muito fácil defender investigação quando o investigado está do outro lado. É muito fácil lembrar das garantias quando o investigado é alguém do seu lado. É muito fácil exigir rigor para o adversário e contexto para o aliado.


Mas princípio que muda dependendo de quem prejudica não é princípio, é conveniência. Talvez seja por isso que ouvir que até a máfia tem ética dentro do Supremo Tribunal Federal deveria ser considerado bizarro. Eu não sei quem vai sair certo dessa história, mas você não precisa escolher um ministro de estimação para entender o tamanho do problema.



E quando quem julga começa a discutir publicamente se pode confiar em quem está julgando ao lado, quem está do lado de fora deveria começar a pensar por que eu devo confiar também.



 
 
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